Matisse (Henri Matisse) pdf, epub, doc

Tradução: Denise Bottmann|Notas: Dominique Fourcade
Bibliografia: Dominique Fourcade|Seleção de textos: Dominique Fourcade

O pintor francês Henri Matisse (1869-1954) nos oferece neste livro o que diz, o que pensa e o que faz. Seus escritos, entrevistas e relatos de conversas mostram como ele contribuiu com pesquisas para o desenvolvimento dos meios de expressão plástica, além de libertar nosso olhar e ampliar nossa compreensão da arte.

O livro, que nunca havia sido publicado no Brasil (havia apenas uma edição portuguesa esgotada), ganha nova tradução e ilustrações de obras do artista, além de um ensaio fotográfico por Henri Cartier-Bresson, imagens exclusivas do volume brasileiro (nenhuma outra edição no mundo foi ilustrada).

O tom direto e coloquial de Matisse reflete uma consciência aguda dos problemas pictóricos do momento e um lúcido entendimento das soluções possíveis. As palavras condensação, estabilidade, ordem, clareza, constantemente usadas em seus textos, pressupõem a participação da inteligência numa expressão baseada nas sensações. Sua análise da criação artística resume sua experiência pessoal e abre um campo de investigações para o futuro.

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A PINTURA E O PENSAMENTO DE MATISSE
Antonio Gonçalves Filho
O Estado de S. Paulo, Caderno 2|22/12/2007

Para conhecer Henri Matisse (1869-1954), uma opção agradável, mas cara, é subir a colina de Cimiez até encontrar o museu que leva seu nome, próximo a um mosteiro franciscano de jardins italianos e não muito longe do Hotel Regina onde morou o pintor, em Nice. Uma alternativa mais barata para quem não pode viajar pela Riviera Francesa é ler o livro Matisse - Escritos e Reflexões Sobre Arte (Cosac Naify, 400 págs.). Desde sua primeira edição em francês, em 1972, o livro figura nas listas de todos os que se interessam pela obra desse escriturário que virou pintor quando convalescia de uma operação de apendicite, aos 21 anos. O leitor brasileiro ganha por ter esperado tanto pela tradução - trabalho primoroso de Denise Bottman. Nenhuma outra edição foi tão bem ilustrada como a brasileira (a americana, revisada em 1995, tem 52 fotos em preto-e-branco). Aqui, o livro ganhou reproduções coloridas ao lado dos textos, além de fotografias de um grande amigo do pintor, o lendário Henri Cartier-Bresson (1908-2004).

O texto mais antigo tem exatamente 100 anos. Notas de Um Pintor é uma testemunho de fé em sua profissão - com um pedido de desculpas por pisar no “terreno do homem de letras”. Desnecessário. Matisse escrevia bem, expondo suas idéias com invejável clareza. Em primeiro lugar, deixa evidente que, apesar de seu interesse literário, pintura nunca foi complemento de literatura. Acrescenta que buscava, em primeiro lugar, a expressão, acreditando sobretudo na intuição. Matisse sonhava com uma arte de equilíbrio, sem temas inquietantes, uma pintura que fosse para o homem cultivado “como uma boa poltrona” onde pudesse relaxar. Enfim, um apelo ao recolhimento, à serenidade, como definiu outro crítico. Se Rothko quis construir um espaço habitável com suas telas, Matisse pretendeu ser o calmante cromático para olhos cansados.

Parece claro que as ambições de Matisse foram crescendo com o tempo. Mesmo em 1908, quando ainda era “fauve” e aderiu às cores fortes de Dérain e Marquet, sabia que seu destino não era o de vanguardista provocador. Tampouco seu papel seria o de um reacionário. Espremido entre neo-impressionistas e cubistas, o fauvista Matisse já dizia há um século que Courbet representava melhor a sua época que Flandrin, e que Rodin era muito melhor que Frémiet. O tempo só fez confirmar sua opinião. Ele mesmo reconhece que sua pintura, inicialmente, segue a “gama sombria dos mestres” que estudava no Louvre, tornando sua paleta mais clara por influência dos neo-impressionistas, Cézanne e os orientais. Matisse , modestamente, classifica seus trabalhos realizados até 1914 de “decorativos”, reservando às obras feitas depois da 1ª Guerra o adjetivo “intimista”.

Ao lado de textos escritos por Matisse sobre seu ofício, o livro traz entrevistas históricas do pintor concedidas a homens igualmente notáveis como o poeta Apollinaire ou o respeitado crítico belga Léon Degand, curador da mostra inaugural do Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1949. Degand foi testemunha da fase final da carreira do pintor, mas, além dele, há presenças importantes como a do crítico e cineasta Gaston Diehl, que dirigiu com Resnais um filme histórico sobre Gauguin (1950) e tornou conhecidos na Europa os cinéticos latinos (Soto e Cruz-Diez). Entre os textos introdutórios destaca-se, porém, o do poeta surrealista Pierre Reverdy, que depois se converteria ao catolicismo, morrendo como abade. Reverdy, também ligado aos cubistas, chamou a atenção para um detalhe muito curioso a respeito das telas de Matisse: a sobrenatural amplitude que adquirem, quaisquer que sejam as dimensões reais dessas pinturas. Mesmo as menores, quando reproduzidas, parecem gigantescas e “completas como um ovo, tendo exatamente tudo o que é preciso, nunca mais e nunca menos”.

Essa economia Matisse aprendeu com o mestre Gustave Moreau, que profetizou: “Você vai simplificar a pintura.” É certo que Moreau hesitou antes de concordar com essa simplificação. Achava que Matisse simplificaria a tal ponto que a pintura deixaria de existir. Matisse, porém, não tinha vocação minimalista. Queria apenas descobrir o que havia de característico num gesto, numa postura. Observe a tela maior nesta página (Harmonia Vermelha - Mesa de Jantar, 1908): os braços da mulher que arruma a fruteira são quase o prolongamento dos galhos que saem do papel de parede para se integrar à toalha de mesa. Foi lentamente que Matisse veio a descobrir o segredo da harmonia, um “devaneio” inspirado pela realidade, onde todos os planos se fundem como uma tela de Morandi. As cores são forças dentro de um quadro, como nas telas de Cézanne, seu bom deus da pintura. Influência perigosa? “E daí? Tanto pior para quem não tem força para suportá-la”, responde Matisse numa entrevista (de 1925) ao escritor Jacques Genne. E, não satisfeito com a resposta, ainda repete uma frase marcante dita antes na entrevista a Apollinaire: “Nunca evitei a influência dos outros. Consideraria isso uma covardia e uma falta de sinceridade comigo mesmo. Acredito que a personalidade de um artista se afirma pelas lutas que enfrenta.”

A honestidade de Matisse era impressionante. Numa outra entrevista, desconcerta seu interlocutor com uma observação politicamente incorreta sobre as moças taitianas, que conservariam sua natureza “selvagem e ignorante” sob seus frágeis modos parisienses. Logo em seguida, diz que ninguém se lembrava mais de Gauguin no Taiti, um lugar, segundo ele, onde a preguiça é mais forte que qualquer coisa e confere essa “amável amoralidade” aos costumes locais. Matisse, em carta a Bonnard, diz que não pintou um quadro sequer no Taiti. Só fez “fotos ruins”. Já em 1930, ano da entrevista a Tériade, Matisse dizia que o futuro da pintura estava em Nova York, não em ilhas paradisíacas. Nessa mesma entrevista, ele conclui que o americano tem amor ao risco e não se deixa abater pelo tédio.

O livro traz ainda excertos de cartas reveladoras enviadas a amigos como o pintor Simon Bussy, em que comenta as ilustrações que prepara para a edição de Ulysses, de James Joyce, em 1934. Joyce estava de total acordo com as ilustrações, segundo Matisse. Só não sabia que elas remetiam mais à Odisséia do que ao livro do irlandês. Quando lhe perguntaram a razão disso, teria respondido, segundo a biografia de Joyce por Richard Ellman: “Eu não o li.” Outra revelação surpreendente: Matisse considerava sua série Jazz “um fiasco”. Autocrítica impiedosa.

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